Resumo do Livro: O Cortiço, autor: Aluísio de Azevedo
O Cortiço é o mais expressivo dos romances naturalistas brasileiros. Por ele desfilam personagens de todos o
s tipos, pois o livro narra a vida de diversas pessoas pobres de um cortiço no Rio de Janeiro. Tem como personagens principais: João Romão, Bertoleza, Rita Baiana, Jerônimo, Pombinha, nesta obra o coletivo que se impõe como personagem mais importante. O cortiço com suas misérias é o foco principal para o narrador.
João Romão, empregado de uma venda no bairro do Botafogo, Rio de Janeiro, ganha posse da venda, porque seu patrão havia enriquecido rapidamente e foi embora para Portugal, deixando o estabelecimento comercial e mais uma quantia em dinheiro como pagamento dos ordenados vencidos.
João Romão inicia uma carreira de ascensão social após a posse da venda, e para competir com seu grande inimigo Miranda, João Romão constrói uma pedreira, convida o português Jerônimo para coordenar os trabalhadores da pedreira. Ao chegar no cortiço o português Jerônimo se apaixona por Rita Baiana.
Jerônimo briga com Firmo, namorado de Rita, é esfaqueado e vai para o hospital. Quando sai, chama uns amigos e vai ao cortiço vizinho, o "Cabeça de Gato", onde mata Firmo a pauladas. A morte de Firmo por Jerônimo é o estopim de uma verdadeira batalha, que acaba num incêndio.
O cortiço foi reconstruído pelos seus moradores, que agora se tornava de classe média. João Romão consegue encontrar o filho mais velho do antigo dono de Bertoleza e decide entregar a escrava, que não comprara sua alforria. Entra em contato com a polícia, e Bertoleza no momento em que vai ser presa, reconhece o filho de seu antigo dono e suicida-se abrindo o seu ventre. No exato momento em que Bertoleza se suicida, uma comissão de abolicionistas chega à residência de João Romão trazendo-lhe o diploma de sócio benemérito, o que o integra definitivamente nas camadas mais altas da sociedade e lhe permite aspirar ao título de visconde, superior ao de barão, conseguido por Miranda, seu ex-rival e futuro sogro.
Biografia do Autor
Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo nasceu a 14 de abril de 1857, em São Luís do Maranhão. Inicia os estudos em sua terra natal, indo depois estudar pintura e desenho, n
o Rio de Janeiro. Trabalha como caricaturista em jornais políticos e humorísticos. A morte do pai o faz retornar ao Maranhão, onde escreve alguns artigos de caráter político, influenciado pelo materialismo positivista, atacando os conservadores, a tradicional sociedade maranhense e o clero. Publica seu primeiro romance, "Uma Lágrima de Mulher”, em 1880. No ano seguinte, choca a sociedade maranhense ao publicar "O Mulato” (primeiro romance naturalista da Literatura Brasileira). Retorna ao Rio de Janeiro, onde passa a viver da venda de seus escritos, o que mal lhe garantia o sustento. Cansado dessa situação, em 1895, o romancista presta concurso para o cargo de cônsul. Aprovado, ingressa na vida diplomática e abandona de vez a literatura. Falece a 21 de janeiro de 1913, em Buenos Aires, Argentina. Por tentar profissionalizar-se como autor, acabou produzindo uma obra diversificada e de qualidade desigual. De um lado, romances românticos (que o autor chamava de "comerciais”) seguindo perfeitamente a receita folhetinesca; de outro, romances naturalistas (chamados pelo autor de "artísticos"). Ao primeiro grupo pertencem os romances: "Uma Lágrima de Mulher”; "Memórias de Um Condenado”; "Mistérios da Tijuca”; "Filomena Borges”; "O Esqueleto”; e "A Mortalha de Alzira”. Ao segundo, pertencem os três maiores romances de Aluísio: "O Mulato”, "Casa de Pensão”; e "O Cortiço”. É importante citar que essa divisão não constitui fases, como no caso de Machado de Assis, os romances românticos eram alternados com os naturalistas. É como naturalista que o autor deve ser estudado. Seguindo as lições de Émile Zola e Eça de Queirós, o autor escreve romances de tese, com clara conotação social. É nítida a preocupação com as classes marginalizadas pela sociedade, a crítica ao conservadorismo e ao clero, aliado à classe dominante. Também se destaca a defesa do ideal republicano (em "O Cortiço”, a República é proclamada no decorrer da trama, permitindo que o autor explique sua posição quanto a este acontecimento). Numa postura materialista positivista, valoriza os instintos naturais, comparando constantemente seus personagens a animais. Em "O Mulato” já estão presentes todas as principais características do Naturalismo: o amor pela natureza, a negação da metafísica, o "desrespeito” pela religião, o entusiasmo pela saúde do corpo, o real-sensível e o materialismo.
Suas Obras Românticas são: “Uma lágrima de mulher” (1880), “Mistérios da Tijuca ou Girândola de Amores” (1883), “A Condessa Vésper” (1882), “Filomena Borges” (1884), “O Esqueleto” (1890), “A Mortalha de Alzira” (1894).
Suas Obras Naturalistas são: “O Mulato” (1881), “Casa de Pensão” (1884), “O Coruja” (1885), “O Homem” (1887), “O Cortiço” (1890), “Livro de uma Sogra” (1895).
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